A teimosia
O pai de Manta era mais tolerante. Quando ela nasceu o pai tinha cinquenta anos, talvez por isso. Ficou aflito com o acidente do tanque, repreendeu, mas sabia que Manta era teimosa e o tanque era uma tentação… Um dia de folga no trabalho e tentou arrancar de Manta a promessa de que nunca mais iria para o tanque sozinha, sabia que ia ser difícil, mas se conseguisse poderia estar descansado. Folgava às sextas-feiras, e numa dessas folgas sentou-se na escada, frente ao tanque, com a Manta no colo e foi dizendo -Sabes Manta não deves ir para o tanque. O pai não quer que vás... Manta mantinha-se calada encostada ao peito dele e a olhá-lo... O pai continuou - Está bem? Não voltas?... Ela não respondia as razões para não ir não tinham sido abordadas e o pai sabia... Olhou-a e disse: - Sabes filha o tanque é perigoso. Tu caíste sabes que falta o ar e podes afogar, tiveste sorte a senhora estar por perto. E se não estivesse? Morrias! Eu e a mãe íamos ficar muito tristes a tua irmã também. ... Manta foi adiantando - Mas eu gosto de lavar... O pai continuou, ela estava a ceder: - Eu sei! Não estou a dizer para não lavares. Mas só deves fazê-lo quando estiver gente grande no tanque, percebes? - E se eu tiver que lavar roupinha das bonecas? - Contrapunha a Manta O pai, cheio de paciência, dizia: -Pedes á mãe uma bacia com água, lavas na bacia. Fez uma pausa e repetiu: - Posso estar descansado não voltas mais ao tanque sozinha? Manta respondeu: - Está bem. Só volto com gente grande lá. O pai respirou fundo. Sabia que daí em diante ela não iria. Era muito teimosa, mas cumpria o que prometia.

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